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SensívelMente

Um espaço dedicado à desmistificação e destigmatização das perturbações/doenças/transtornos mentais, pelas palavras de moi-même, alguém que tem como companhia algumas delas.

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Depressão - Muito mais do que tristeza

09.04.19 | SensivelMente

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(fonte)

 

Quantas vezes ouvimos dizer "Estou tão deprimida!", sem que a pessoa perceba sequer o que está a dizer? Muitas vezes o estar triste é sinónimo de estar deprimido, quando a verdade não é essa. A tristeza é uma emoção normal, saudável e adequada. Mas, para mim, estar deprimida é não sentir nada. Não sentir alegria nem tristeza, nem prazer pelas coisas que faço, uma sensação de vazio e desmotivação. A maior parte das vezes ou não consigo dormir de todo, ou durmo demasiado, como muita porcaria ou como pouco. O mundo fica em câmara lenta e eu não consigo acompanhar nada. Sinto-me descompassada. 

 

Lembro-me de ser uma pessoa muito melancólica desde criança e lembro-me de passar por todas estas sensações ainda adolescente, talvez com 15/16 anos. As coisas relacionam-se todas umas com as outras, e foi uma mudança de escola, sem colegas conhecidos que despoletou não só a minha ansiedade, mas também a depressão. Muitas vezes as duas estão relacionadas e ambas dificultavam a minha vida e limitavam o que eu fazia. Cheguei a ter dificuldade em sair de casa (ainda hoje, de vez em quando, luto com isso), a entrada na faculdade foi horrível e sofri bastante com isso. Todos estes grandes momentos trouxeram ao de cima todas essas emoções (ou a falta delas). Mas não é preciso grandes acontecimentos na vida para que a depressão se manifeste. Às vezes está lá em segundo plano à espera de um momento, por mais insignificante que possa parecer, para aparecer.

 

A depressão é um transtorno mental e tem sintomas, por isso tenham atenção da próxima vez que dizem com a maior ligeireza do mundo "estou deprimido" só porque estão tristes ou a vida não corre como queriam. Alguns dos sintomas são estes:

  • Tristeza profunda, por vezes sem razão aparente
  • Ausência de prazer ou interesse em actividades que antes gostavam
  • Mudanças de apetite - comer em demasia ou falta de vontade em comer
  • Insónias, dificuldade em adormecer, ou dormir demasiado
  • Cansaço constante, fadiga
  • Sentir-se sem um propósito, desmotivado, vazio por dentro
  • Dificuldade de concentração, de poder de decisão
  • Isolamento
  • Apatia

 

Mais uma vez, é necessário o acompanhamento médico através de um psicólogo ou terapeuta, mas também de um psiquiatra que possa prescrever medicação adequada. Há todo um estigma sobre tomar medicação para a saúde mental, como se isso fosse um sinal de fraqueza. Mas não nos podemos esquecer que todas estas doenças também são desequilíbrios químicos no cérebro. E tal como alguém com problemas cardíacos, ou com gripe ou com uma dor de estômago tem de tomar medicação para melhorar, também nós temos de tomar medicação para o nosso cérebro conseguir funcionar melhor. E não há que ter vergonha disso.

 

A depressão não se vê, mas isso não significa que ela não esteja lá. Não é uma escolha, pode acontecer a  qualquer pessoa e não há um botão de "ligar/desligar". A maior parte das vezes, aqueles que a têm sentem-se sozinhos, inúteis, incompreendidos. Sendo alguém que passa e já passou por isso, o que precisamos é só de alguém que nos ouça, que se interesse por nós e pergunte "como estás" com a vontade de quem realmente quer saber e ouvir com atenção. A nossa dor e o nosso sofrimento, seja qual  a sua causa, é válido e real. É emocional e não racional e, por isso, necessita de uma resposta emocional. Sejam bondosos. Aceitem. Mantenham a linha aberta para quem possa estar a passar por isso sentir que pode confiar e abrir-se.

 

Mais posts virão sobre este assunto, mas uma coisa de cada vez.

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